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20/01/2012

PREFEITURA DE CARATINGA DEIXA DE REPASSAR VERBAS PARA BOMBEIROS VOLUTÁRIOS DE CARATINGA, QUE PODERÁ DEIXAR DE ATENDER A POPULAÇÃO

Bombeiro voluntário pede socorro em Caratinga

Corporação não recebe repasses há três meses e pode fechar as portas


bombeiros caratinga


O Corpo de Bombeiros Voluntários de Caratinga, no Vale do Rio Doce, pode fechar as portas. A corporação não recebe repasses há três meses de um convênio firmado com a prefeitura, precisa de equipamentos como capas de chuva e botas, e tem uma dívida de R$ 200 mil no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O grupo de atendimento, criado em 2002, pode encerrar as atividades em março deste ano, quando está marcada a eleição para definir o novo comando. Até agora, nenhum candidato quis concorrer ao cargo. Sem a atuação desses voluntários, os resgates ficariam a cargo dos Bombeiros Militares de Manhuaçu, distante 120 quilômetros de Caratinga.

“Os bombeiros voluntários têm ido para as ruas pedir doações, mas o recebido não é suficiente”, lamentou o comerciante João Batista Bárbara, de 49 anos, que acumula a função de comandante dos bombeiros voluntários há dois anos.


O grupo conta com 12 pessoas que recebem um salário de R$ 700 reais, mas o número de voluntários não é suficiente. O ideal, segundo João Batista, seriam 25 bombeiros atuando. Da turma de dez voluntários que receberam treinamento no ano passado, apenas dois foram contratados. “São pessoas que querem ajudar ao próximo, mas não têm apoio para seguir adiante”.

A unidade tem apenas quatro veículos à disposição – um caminhão doado pela Copasa que foi adaptado para o serviço de combate à incêndios, dois carros para resgate e um para transportar equipamentos. “Precisamos de pelo menos mais uma ambulância”, disse o comandante. A unidade funciona num galpão cedido pela administração. No entanto, desde setembro do ano passado, o Executivo parou de repassar o auxílio, de R$ 7 mil mensais.

O Corpo de Bombeiros Voluntários surgiu de um grupo de amigos empresários que decidiram dar um basta nas mortes causadas pela falta de socorro. A cidade é cortada pela BR-116, um dos corredores mais movimentados do país e palco de constantes tragédias. “Talvez muitas mortes teriam sido evitadas com um socorro mais rápido e um atendimento adequado”, lembrou o comandante.

Os bombeiros fazem, em média, 200 atendimentos por mês. Acidentes de trânsito, afogamentos, incêndios e atendimentos a pessoas doentes são a maioria das ocorrências. Porém, durante o período das chuvas, o cenário é mais preocupante. Somente no mês passado, os voluntários atenderam a sete desmoronamentos.

Para prefeitura, repasse depende de diligências

Por meio da assessoria de imprensa, a administração informou que o atraso no repasse de recursos ao Corpo de Bombeiros Voluntários é devido a pendência da instituição junto ao setor de convênios do município. O pagamento seria efetuado quando as diligências forem resolvidas. “Embora a prefeitura tenha convênios com mais 20 instituições que prestam serviços à comunidade, é importante salientar que o Corpo de Bombeiros Voluntários não se configura como um órgão público municipal, e atende a toda microrregião, composta por 14 municípios, sendo que somente Caratinga contribui para a manutenção da corporação” dizia a nota.

A prefeitura informou ainda que já se reuniu com representantes da corporação sugerindo alternativas para angariar mais recursos, como o pedido da verba de subvenção por meio da Câmara Municipal. O Executivo disse ainda que, nos próximos dias, fará a doação de luvas e botas para os voluntários.

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